Ilhéus

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Ilhéus se localiza no sul da Bahia, na chamada Costa do Cacau, aproximadamente na metade (300 km) entre Salvador ao norte e Porto Seguro ao sul. A história da cidade se iniciou por volta de três décadas depois da chegada da esquadra de Pedro Álvares Cabral no Monte Pascoal com o establecimento de capitanias hereditárias no litoral brasileiro em nome da coroa portuguesa.

Em 1534 Capitania de Ilhéus foi doada a Jorge de Figueiredo Correa, que mandou em seu lugar Francisco Romero, que fundou a sede da capitania na atual Bahia do Pontal, dando o nome de São Jorge dos Ilhéus, uma homenagem ao donatário Jorge de Figueiredo e Ilhéus, devido à quantidade de ilhas que encontraram.
Ilhéus
 
Em 1754 o governo português acabou com o sistema de capitanias hereditárias e as terras brasileiras voltaram para as mãos do governo. Foi nessa época que iniciaram o plantio do cacau. As primeiras sementes foram trazidas do Pará, pois o cacau é planta nativa da região amazônica.

Naquela época não se tinha conhecimento da importância do chocolate na alimentação e só pensava-se em cultivar a cana-de-açúcar, que era o que rendia muito. Foi somente no século seguinte, em 1821, que os alemães chegados à região nas primeiras décadas começaram o plantio do cacau como cultura rentável. Até 1890 foram os estrangeiros que plantaram cacau.

A partir desta data é que houve uma verdadeira corrida por parte dos próprios brasileiros para a ocupação das terras e o governo brasileiro doava terras a quem quisesse plantar cacau. Vieram sergipanos e pessoas fugidas da seca do nordeste, do próprio estado e de todo lugar. Em dez anos a população cresceu de uma forma explosiva, plantava-se cacau em abundância.

Nesta época começaram a construir belos edifícios públicos como o Palácio Paranaguá que abriga até hoje a Prefeitura Municipal e a sede da Associação Comercial de Ilhéus; belas casas, como a do "coronel" Misael Tavares e a da família Berbet, uma cópia do Palácio do Catete no Rio de Janeiro e muitos outros belos prédios. Na década de vinte deste século, Ilhéus fervilhava de pessoas, de dinheiro, de luxo e riqueza.

A exportação de cacau era um problema, pois era feita pelo porto de Salvador. Havia muita dificuldade no embarque, com perda de qualidade e de peso. Em 1924, os cacauicultores iniciaram a construção do porto de Ilhéus com recursos próprios, e a exportação do cacau começou a ser feita diretamente na cidade, trazendo com isso a presença de estrangeiros e um intercâmbio cultural com países da Europa.

Até os anos 70 o cacau foi o principal gerador de divisas do estado, responsável por quase 60% de toda a sua arrecadação. Hoje em dia a situação é bem diferente. No porto da principal cidade da região, Ilhéus, por onde já foram exportados mais de US$ 1 bilhão em sacas de cacau, o movimento gira em torno da soja plantada no oeste baiano, além do papel e celulose produzidos quase no limite com o Espírito Santo.

O fim da "saga do cacau" na Bahia começou a partir do final dos anos 80, quando o Brasil respondia pela segunda maior produção mundial, atrás apenas da Costa do Marfim. Primeiro, os preços no mercado internacional despencaram por conta da grande oferta do produto em outros países, notadamente os da África. A natureza também não colaborou, mandando poucas chuvas e castigando as plantações com a inclemência do sol. Finalmente, como golpe de misericórdia, um fungo vindo da Amazônia , conhecido por “vassoura de bruxa”, apodreceu os frutos e sepultou de vez as esperanças de produtores descapitalizados.

Veja também: Porto Seguro - Salvador
 
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