No sudeste do
Brasil, entre as longitudes 42° e 47° O,
ocorre um alinhamento linear de corpos
ígneos
intrusivos
alcalinos
(Poços de Caldas,
Ilhabela,
Passa Quatro /
Itatiaia, Mendanha, Tinguá, Soarinho, Cabo Frio),
com idades decrescentes na direção leste (85 - 55 Ma).
Estão inseridos, ao longo de uma distância de 500 km, no segmento
norte
do cinturão
neoproterozóico
Ribeira.
Com 800 quilômetros quadrados, Poços de Caldas é o maior complexo alcalino no Brasil e um dos maiores no mundo.
Os complexos menores de Itatiaia e Passo Quatro
com picos até 2.800 m representam as maiores elevações na margem Atlântica
do continente
Sul - Americano.
Estes complexos provavelmente representam as raízes de vulcões cretáceos extintos que nesta época se comparavam com os atuais
vulcões Monte Quénia (5.199 m) ou Kilimandscharo (5.895 m) ao longo do Rift Leste Africano. Com o tempo os edifícios vulcânicos erodiram e
somente os plútons remanesceram. É possível que estas rochas intrusivas foram originados pelo magma defletida
da Pluma Mantélica (Diápiro do Manto) de Trindade.
Acredita-se que esta pluma impactou a
litosfera há 85 Ma embaixo de Brasília.
Desde então, a
Placa Sul - Americana
se movimentou devagar (3 - 6 cm/ano) para oeste passando por cima da pluma que essencialmente mantém uma posição fixa
no manto da terra.
De 85 a 55 Ma, a pluma passou embaixo do
Cratón do São Francisco
e de 55 Ma até hoje embaixo do fundo do Atlântico - Sul. Sopõe-se que hoje se localiza embaixo do grupo de ilhas
vulcânicas de Trindade e Martin Vaz que foram formados pela pluma e seu magmatismo associado durante os últimos 3 milhões de anos.
Evidência física para a trilha da pluma na parte oceânica da placa sul - americana é
a cadeia vulcância submarina de Vitória - Trindade que ao longo de uma distancia de 1.200 km conecta Trindade - Martin Vaz com o continente
brasileiro. O Arquipélago de Abrolhos que forma o término ocidental desta cadeia foi originado pela pluma entre 52 e 42 Ma.
Acredita-se que no continente a profunda (200 - 250 km) raíz litosférica do Cratón do São Francisco refletiu o manto
quente (1.300 - 1.600° C) ascendente para regiões com litosferas mais finas no sul, onde descomprimiu,
fundiu e finalmente alcançou a superfície por meio dos vulcões alcalinos descritos anteriormente.