A planície do Pantanal está posicionada em um nível de altitude entre 80 e 150m e seus
solos são predominantemente pouco permeáveis.
Estas características fazem com que
a cada ano, após alguns meses de chuvas, a planície do Pantanal se transforma em uma
imensa área alagada, com grande parte dos
ecossistemas
terrestres passando para ecossistemas
aquáticos, situação que só começa a se reverter a partir do início do outono.
A vegetação do Pantanal é um mosaico de paisagens constituindo-se de lagoas com
plantas aquáticas (baias), vegetação flutuante (baceiro), áreas não inundáveis
com vegetação de cerrado
e caatinga
(cordilheira), canais de escoamento de água (corixo) e
savanas com ipê amarelo (paratudal).
A natureza repete, anualmente, o espetáculo das cheias, proporcionando ao Pantanal a
renovação da fauna e flora local. Esse enorme volume de água, que praticamente cobre
toda região do Pantanal, forma um verdadeiro mar de água doce onde milhares de peixes
proliferam. Peixes pequenos servem de alimento a espécies maiores ou a aves e animais.
Quando o período da vazante começa, uma grande quantidade de peixes fica retida em
lagoas ou baias, não conseguindo retornar aos rios. Durante meses, aves e animais
carnívoros (jacarés, ariranhas e outros) têm, portanto, um farto banquete à sua
disposição.
O jacaré-do-pantanal, que é quase inofensivo ao ser humano, atinge 2,5 metros de
comprimento e alimenta-se de peixes. O jacaré-açu atinge 6 metros de comprimento,
pode mudar de cor para se camuflar e só ataca quando ameaçado.
Onde muitos jacarés são encontrados, há poucas piranhas. Outro importante
predador aquático e semi-terrestre é a sucuri-amarela-do-pantanal que mede até
4,5 m, comparada com a sucuri-amazônica, que mede até 10 m. Ela também raramente ataca
pessoas. O maior peixe do Pantanal é o jaú, um bagre gigante, que pesa até 120 Kg,
e chega a 1,5 metros de comprimento (metade do pirarucu da Amazônia, que atinge 3 metros
e é considerado o maior peixe do mundo). As aves típicas do Pantanal são o tuiuiú
(ave símbolo do Pantanal),
o colhereiro e a arara azul, que corre o risco de extinção. Entre os primatas,
se destacam o macaco-prego e o bugio. O predador principal do Pantanal é a
onça-pintada, junto a outros felídeos e canídeos.
O bioma Pantanal está ameaçado por atividades
de pesca furtiva, desmatamentos, queimadas e principalmente pelo projeto da hidrovia
Paraná - Paraguai, que pretende tornar estes rios permanentemente navegáveis,
interligando por via fluvial Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia.